UM NOVO OLHAR PARA AS RELAÇÕES AMOROSAS

De acordo com pesquisas da Psicologia Positiva, uma das fontes de maior felicidade do ser humano são os relacionamentos amorosos. Por esse motivo, muitas empresas, inclusive, estão atentas à qualidade de vida de seus funcionários, pois um dos maiores problemas enfrentados por eles é a instabilidade emocional, provocada por dificuldades na vida conjugal, a ponto de afetar seriamente o desempenho no trabalho. Casais desentendem-se por muitas coisas e temas diferentes, mas os pontos principais são: educação dos filhos, relação com as famílias de origem, problemas financeiros, disputa de poder, direito de ter liberdade e fazer críticas.

O psicólogo e terapeuta de casais norte-americano, Gary Neuman, apresenta no livro “A verdade sobre a traição masculina”, o resultado de sua pesquisa, a partir da experiência no trabalho de assistência ao corpo de bombeiros de Miami. Segundo ele, quando o homem traía, quem ia à procura de ajuda psicológica era a mulher, com sua dor e sofrimento, naquele momento tão difícil. Isso começou a deixá-lo pensativo e curioso, pois só a mulher era ouvida. Motivado por esse cenário, Neuman lançou-se num projeto de pesquisa pioneiro, durante o qual entrevistou 25.500 homens.

A realidade instigou-o a pensar por que não se aproximar do homem para ouvi-lo sobre suas relações amorosas e perguntar a ele, especificamente, o que o levava à traição; ou o que, afinal, o deixava tão insatisfeito a ponto de encontrar a traição como saída. O grande diferencial do resultado da pesquisa foi derrubar o senso comum que associa o homem ao comportamento frio, excessivamente racional e insensível às questões amorosas ou emocionais. Ao contrário, o estudo apresenta um homem que expressa o desejo de cumplicidade emocional nos relacionamentos, quer ser valorizado e admirado pela parceira e está comprometido em uma vida a dois.

Até então, o mundo masculino havia sido muito pouco explorado, principalmente, nesse campo da vida pessoal, pois pouco se indagava sobre seu comportamento e o homem parecia manter-se mais reservado nesse processo. Iniciou-se, no entanto, um movimento para compreensão do pensamento e comportamento masculinos, presente em vários trabalhos sobre esse tema, como o da psicóloga Shirley Glass que, em seu livro "Not Just Friends", traça uma linha similar ao apresentar o homem dizendo que a aproximação com a parceira é primeiro por afinidades, depois vem o sexo. Podemos citar, ainda, a pesquisa Eles (Editora Abril, 2014), segundo a qual os homens estão mais emotivos e mais da metade (56%) afirma estar muito próximo de alcançar suas expectativas como ser humano.

Nesse contexto, o que está faltando para os casais terem relacionamentos melhores, mais longos e duradouros? Cuidar de um relacionamento é trabalhoso, demanda tempo para abrir espaço para estar a dois, mesmo com trabalho, contas a pagar, amigos, hobbies; se a relação de amor é importante, deve ser priorizada. Podemos aprimorar nossa maneira de agir como parceiro, entender como o outro se sente diante de determinadas situações do dia a dia e compreender o papel de cada um e suas consequências, com um novo olhar, talvez, com menos cobranças, mais carinho e parceria. Provavelmente, esse acesso ao mundo masculino irá ajudar. E muito.

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