Cabo de Guerra

Cristina Santos - 04/11/22 - 2 min para ler








Geralmente não fazemos ideia da força de nossas famílias de origem no desenrolar de nossas vidas!! Quando nos casamos, ou mesmo enquanto namoramos, não sabemos ainda da dimensão do que representa essa família em nossos afetos e amores.


Quando nos unimos a alguém acreditamos que estamos começando uma nova vida, tudo novo, do zero. O convívio a dois é uma nova experiência, mas cada um viveu e teve uma experiência anterior e fundamental, com sua respectiva família de origem, que o marcou profundamente para o resto de sua vida.


Então, a partir disso é bom lembrar que o amor e a paixão que os dois sentem não apagará o que viveram anteriormente. É bom não imaginar que as carências que cada um traz de suas famílias de origem serão supridas por essa relação amorosa. Nem também sonhem que o que viveram de bom em suas respectivas famílias se repetirá nessa nova união.


Assim o novo casal não pode ter a ilusão que estará imune as influências familiares e à cultura na qual viveu anteriormente ao casamento, e que, de alguma maneira, continuará vivendo. Até mesmo saindo do país cada um carregará as suas crenças, valores, princípios e as experiências vividas em suas famílias.


E aí está o grande desafio: se constituírem enquanto casal, e unidos poderem estabelecer uma união mais poderosa entre si do que com suas respectivas famílias de origem. Uma cumplicidade que os manterá juntos e próximos mesmo em situações nas quais estará em jogo a lealdade para com a família original. Fico do lado da minha família, defendo essa família e me oponho ao meu parceiro? Ou justamente o inverso, ficando leal ao casal, ao vínculo da união e me opondo a minha família? Até que ponto estou diferenciado de minha família original que serei capaz de estabelecer um laço mais forte na minha vida a dois?


E em muitos momentos ou situações o casal se perde nesse nevoeiro familiar, praticando quase um cabo de guerra, cada um leal ao seu lado, ou explicando melhor, cada um em defesa de sua respectiva família de origem, como se realmente o parceiro pertencesse a um outro lado, isto é, lados opostos e não o mesmo lado comum!


Esse grau de importância da família original está gravado em nossa matriz familiar, refletindo-se em nossa relação conjugal. Portanto, como podem perceber, essa luta invisível não é simples e nem fácil. E como em toda luta poderá ter vencedores ou perdedores.


A grande conquista do casal é que consiga vencer, se manter enquanto estrutura amorosa, sem derrotar a família (original e nuclear), preservando sua integridade e mantendo os laços com essas mesmas famílias. Enfim, que sobreviva, se mantenha íntegro e não se perca, pelo contrário, se encontre, promovendo encontros, e cada vez mais encontros, conseguindo chegar ao meio da corda.



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